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Análise

Além da saúde: como as “canetas emagrecedoras” estão redesenhando o consumo no Brasil

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Além da saúde: como as “canetas emagrecedoras” estão redesenhando o consumo no Brasil

Os medicamentos à base de GLP-1, popularmente chamados “canetas emagrecedoras”, ainda estão longe de atingir a maioria dos lares brasileiros (apenas 5% atualmente), mas seu impacto já é profundo para quem as utiliza.

6 em cada 10 lares que usam admitem despriorizar outros gastos para acomodar o custo do tratamento. O resultado é uma reorganização clara do consumo: categorias com pontos de preço mais altos, saídas a bares, indulgências e bebidas alcoólicas perdem espaço, enquanto proteínas e alimentos frescos ganham relevância. Confira no artigo abaixo os resultados da análise inédita da NielsenIQ sobre os atuais impactos e o que esperar sobre a influência do uso do medicamento no consumo brasileiro.


Canetas emagrecedoras” já redefinem o orçamento e os hábitos de consumo dos brasileiros

Um estudo inédito da NielsenIQ mostra que o impacto das “canetas emagrecedoras” já vai muito além da saúde e começa a se materializar de forma clara no orçamento dos consumidores brasileiros.

Entre os lares que compram medicamentos injetáveis à base de GLP‑1, como essas “canetas”, 84% relatam impacto moderado a alto no orçamento mensal, enquanto 62,2% admitem ter despriorizado outros gastos para acomodar o custo do tratamento na rotina.

Essa reorganização financeira se reflete diretamente nos hábitos de consumo. Quando questionados sobre quais despesas perderam espaço após o início do tratamento, “saídas a bares” lideram as citações, mencionadas por 62,3% dos respondentes. Na sequência aparecem gastos com Serviços (56,6%), Restaurantes (54,9%), Lazer (50,0%) e, em menor escala, Mercado (16,4%).

Dentro de “Mercado”, o efeito também é perceptível. Bebidas alcoólicas despontam como a categoria mais despriorizada, seguida por Indulgências, Bebidas Não Alcoólicas, Básicos, Higiene Pessoal e Limpeza, indicando que o ajuste de orçamento atinge tanto itens discricionários quanto categorias do dia a dia.


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As mudanças no padrão alimentar acompanham esse movimento. Com a popularização do uso de GLP‑1, itens indulgentes perdem espaço: 76,9% dos entrevistados afirmam ter reduzido ou zerado o consumo de chocolates e doces, enquanto 73,4% indicam menor consumo de snacks e biscoitos após o início do tratamento.

Em contrapartida, alimentos associados a uma percepção de maior saudabilidade ganham espaço. Por exemplo, 84,4% dos brasileiros afirmaram aumentar o consumo de proteínas animais. Outros 67,6% disseram que compram mais verduras e legumes.

O peso financeiro do tratamento ajuda a explicar essa reconfiguração. Entre os consumidores que compram o medicamento mensalmente, 34,2% gastam mais de R$ 1.200 por mês, enquanto 28,5% desembolsam entre R$ 801 e R$ 1.200.

Como resultado, 32,6% avaliam esse gasto como de alto impacto no orçamento, 34,2% como impacto moderado e 17,1% como impacto muito alto, reforçando que a adoção do GLP‑1 impõe escolhas relevantes no consumo doméstico.

Penetração ainda é baixa, mas potencial de expansão é significativo

Apesar dos impactos já perceptíveis no consumo, a penetração de medicamentos injetáveis à base de GLP‑1 nos lares brasileiros ainda é relativamente baixa. De acordo com o estudo da NielsenIQ, apenas 5% dos lares fazem uso dessas medicações atualmente. No entanto, o potencial de crescimento é considerável: 26% dos consumidores declaram interesse em utilizar o produto, mas ainda não o fazem, principalmente devido ao alto custo ou ao receio de eventuais efeitos colaterais.

“Se olharmos a penetração geral é ainda baixa, apesar de alguns recortes de região e demográficos atingirem patamares próximos aos 20%. A queda da patente em março de 2026, combinada com um maior conhecimento sobre o medicamento, seus riscos e benefícios, deve favorecer o uso dos 26% que têm interesse em utilizar ao longo do tempo.”

Gabriel Fagundes – Diretor de Insights para a Indústria, NielsenIQ.

O cenário brasileiro acompanha uma tendência observada em mercados mais maduros. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 12% dos lares utilizaram medicamentos GLP‑1 em 2025, enquanto no Canadá a penetração alcançou 15%.

Entre os lares brasileiros que já utilizam “canetas emagrecedoras”, o perfil é bastante concentrado. Consumidores de Nível Socioeconômico Alto representam 69,5% dos usuários, com predominância de pessoas entre 36 e 50 anos e sem presença de crianças.

Regionalmente, Centro‑Oeste, Leste, Sul e Grande São Paulo se destacam como as áreas com maior penetração atual, com índices de 8,2%, 5,5%, 5,5% e 5,1%, respectivamente.

Quando analisado o potencial de adoção futura — lares que demonstram interesse, mas ainda não utilizam o produto —, São Paulo (33,4%) e a Grande Rio de Janeiro (29,5%) concentram os maiores percentuais, reforçando que a expansão do GLP‑1 tende a ocorrer de forma desigual entre regiões e perfis socioeconômicos.

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Onde o consumo acontece: canais que concentram a venda dos injetáveis de GLP‑1

Quando se observa a dinâmica de compra dos medicamentos injetáveis à base de GLP‑1, o canal Farma desponta como o principal protagonista.

Segundo a pesquisa, 8 dos 10 itens mais vendidos em faturamento no canal Farma em 2026 são “canetas emagrecedoras”, evidenciando a centralidade desse canal na comercialização e no crescimento da categoria.

Além de liderar em faturamento, o Farma também se destaca pela frequência de compras em geral entre os lares usuários desse tipo de medicamento. Outros canais de abastecimento, como Cash & Carry, Hipermercados e Supermercados de grande porte, também apresentam relevância no comportamento de compras e geral desses consumidores, refletindo um padrão mais amplo de abastecimento associado a esses domicílios.

Esse movimento reforça que, embora a venda dos injetáveis esteja concentrada no canal Farma, o impacto do GLP‑1 se distribui por diferentes pontos de contato do varejo, acompanhando a reorganização do orçamento familiar e dos hábitos de consumo desses lares.

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