Cenário 2026 que ditará o consumo durante a Copa
Macroeconomia: inflação acumulada no primeiro trimestre de 2026 ainda é maior versus mesmo período em 2022, no entanto, há uma queda na taxa de desemprego (11,1% em 2022 vs. 5,2% em 2026) e o fim dos impactos da pandemia reduziu a incerteza do consumidor. Esse ambiente mais estável tende a estimular o consumo e favorecer decisões de compra relacionadas ao evento.
Saudabilidade: consumo de algumas categorias está crescendo devido à busca pela melhor saúde e mudança no estilo de vida.
Geração Z: geração mais engajada com o Mundial, que consome conteúdos multiplataforma e que compra tanto no físico quanto no online. Acompanhar as preferências desta geração e inovações da jornada de compra online torna-se essencial para o sucesso da indústria e do varejo.
Consumo dentro do lar: devido ao horário e às datas dos jogos da Copa, além da situação econômica e climática, o consumo dentro do lar tende a ser mais forte no evento deste ano.
Sazonalidade: A junção entre Copa + inverno + Festa Junina + férias forma uma “super estação de consumo” que gera tanto previsibilidade quanto grandes oportunidades de ativação integrada.
Tendência de bebidas zero é expoente no restante do mundo e ainda existem espaços para começar a desenvolver inovações no Brasil
A tendência de um consumo mais saudável revela preferência por refrigerantes sem açúcar e energéticos em vez de cervejas na véspera do Mundial 2026, segundo a nossa recente pesquisa NielsenIQ.
Observa-se uma queda de 2,1 pontos percentuais (p.p.) na intenção de consumo de bebidas alcoólicas na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano anterior, ao mesmo tempo em que bebidas não-alcóolicas crescem 10,3 p.p.
Refrigerantes e bebidas energéticas sem açúcar são os destaques da categoria não-alcoólica. O primeiro representa 32,9% das vendas da categoria e cresce 13 vezes mais do que as versões regulares, contribuindo com 83% para o crescimento dos não-alcoólicos.
Já os energéticos zero representam 29,3% da categoria e crescem duas vezes mais que as versões regulares. Eles contribuem com 72% para o crescimento da categoria.
As bebidas energéticas têm ainda a função de substituir tanto não-alcoólicos como cervejas, o que justifica o ganho de volume expressivo em todos os principais canais do varejo.
Mesmo a categoria de sucos perde espaço para as bebidas zero, devido à menor quantidade de calorias.

“A maior parte da perda de volume de cervejas vai principalmente para refrigerantes zero e energéticos. Isso ocorre em função da tendência de um consumo mais saudável, com priorização de itens com menos calorias e riscos para a saúde”
Gabriel Fagundes – Diretor de Insights para a Indústria, NielsenIQ.
Tech & Durables na Copa: TVs impulsionam a demanda, marketplace acelera e o consumidor migra para telas maiores e tecnologias premium
No recorte analisado de três meses pré-Mundial, televisores responderam por R$ 8,6 bilhões em faturamento, com crescimentos robustos em valor e volume — muito acima da média do mercado de T&D. Em ciclos do evento de futebol mundial, TVs são o “motor” natural do consumo pelo efeito ocasião (jogos, sociabilização em casa) e pela janela de upgrade (tamanho de tela e tecnologia).

O varejo tradicional continua muito relevante para TVs e ganhou participação no período pré-Copa de 2022 vs. o ano fechado — reforçando o papel de exposição física, demonstração de produto e condições de pagamento.
Já o canal online cresce de forma consistente, com destaque para marketplaces. No pré-Copa de 2022, o canal ganhou +1 p.p. de relevância vs. 2022 fechado. Em 2025, esse ecossistema está mais maduro, com maior sortimento, conteúdo e logística favorecendo conversão.
Dentre as regiões, Nordeste e Norte + Centro-Oeste foram os canais que mais ganharam relevância no período pré-copa 2022.
Dentro do lar & saudabilidade: a janela para Air Fryers
Com o aumento da penetração de máquinas Air Fryer nos lares, cresce a aposta do varejo em produtos destinados a tal método de preparo.
Segundo o estudo, 47,8% dos lares em São Paulo já possuíam Air Fryer em 2023. De 2020 até 2024, 33 milhões de unidades foram vendidas no Brasil, sendo o pico em 2024.
Não à toa, um dos destaques são as batatas congeladas para Air Fryer, produto que representa 6% do faturamento da categoria e cresce 19 vezes mais do que os demais produtos correlatos.

Regionalidade, sazonalidade e comportamento: como o Mundial, inverno e Festa Junina remodelam o consumo em 2026
A Copa de 2026 chega em um momento único do calendário brasileiro: junho e julho, meses marcados pelo inverno, Festas Juninas e proximidade das férias escolares. Esses três fatores, somados ao clima previsto de El Niño — que tende a trazer mais frio e chuva —, criam um ambiente de maior permanência dentro do lar, ampliando ocasiões de consumo e abrindo novas oportunidades para categorias além das tradicionais “estrela” do evento.
Inverno e clima: o frio tende a fortalecer o consumo dentro do lar, impulsionando alimentos quentes, bebidas alcoólicas e categorias associadas à conveniência e conforto. O inverno possui diferentes efeitos regionalmente, exigindo estratégias de portfólio e ativação adaptadas a cada área.
Festa junina: as categorias típicas do período passam a ter sinergia natural com os jogos, ampliando possibilidades de ativação. Categorias típicas do evento sazonal, como amendoim, doces, vinho de mesa, balas, pipoca doce/salgada e industrializados, podem se beneficiar do efeito Festa Junina + Copa.
Férias escolares: Com crianças e adolescentes em casa, o Mundial vira um evento familiar e contínuo. Maior tempo livre impulsiona consumo recorrente e compras por impulso. Consumo de produtos vinculados diretamente à Copa, combos familiares, bebidas não-alcoólicas e aplicativos de Food Service/Delivery tendem a ser beneficiados.
A junção entre Copa + inverno + Festa Junina + férias forma uma “super estação de consumo” que gera tanto previsibilidade quanto grandes oportunidades de ativação integrada.
Implicação para marcas e varejo
- Construir campanhas temáticas que unam Copa e Festa Junina, com linguagem visual e ofertas combinadas.
- Ativar categorias “não óbvias” como doces juninos, vinhos, bebidas quentes, snacks e conveniência.
- Buscar uma execução regionalizada, respeitando as particularidades climáticas e culturais do Brasil.
- Aproveitar as oportunidades multiplataforma tanto para anunciar produtos e marcas quanto para estar em linha com as inovações da jornada de compra online.
- Criar combos familiares e ofertas multiuso para maximizar o ticket médio em um período de maior permanência no lar.
- Conectar mensagens de união, celebração e acolhimento, reforçando ocasiões de consumo coletivo.
