A análise inédita Full View 2026 destaca como inflação de alimentos, endividamento, estratégias de economia, mudanças no consumo dentro e fora do lar, avanço do e-commerce e repriorização de gastos, com a inserção de bets e medicamentos à base de GLP-1 na disputa pelo bolso do consumidor, vêm redefinindo o consumo no país.
A NIQ Brasil apresentou o estudo inédito “Full View 2026: As 5 forças por trás da queda de volume” no evento anual de mesmo nome, que reuniu líderes da indústria e varejo, em São Paulo. Segundo o levantamento, a desaceleração não é resultado de uma única causa, mas da combinação de diferentes pressões que vêm alterando a forma como o brasileiro organiza seu orçamento e suas decisões de compra.
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5 forças por trás da queda de volume no consumo brasileiro
Endividamento e custo de vida elevado
O movimento de retração ganhou força nos últimos anos. Em 2024, 20% das categorias retraíram em volume versus 2023; em 2025, esse percentual subiu para 50%; e, entre o primeiro quarter de 2026 e 2025, chegou a 70%.
Entre os fatores centrais está a nova ascensão de preços, especialmente em alimentos. O material mostra que 2025 consolidou um novo patamar de preços, após os choques inflacionários dos últimos anos. Entre 2019 e 2025, categorias como café em pó e grãos acumularam alta de 248%, óleo e azeite de 118% e arroz de 78%. Nesse contexto, 36% dos consumidores brasileiros declararam que o aumento do preço dos alimentos estava entre suas principais preocupações no segundo semestre de 2025.
Mesmo com melhora de alguns indicadores econômicos, a combinação entre juros altos, famílias endividadas em máxima histórica e renda comprometida com dívidas ajuda a explicar a cautela no consumo. A geração de vagas ocorreu majoritariamente nas faixas salariais mais baixas, o que limita a tradução dessa melhora em maior intenção de compra.

Estratégias e economia em alta
Diante desse cenário, o consumidor intensificou suas estratégias de economia. Segundo o estudo, 66% passaram a buscar opções de menor preço, 45% escolhem o produto mais barato independentemente da marca e 40% monitoram o custo total da cesta. Além disso, 80% afirmam planejar suas compras previamente. O impacto desse comportamento aparece também na perda de penetração e frequência: 48% das categorias perderam penetração nos lares e 60% sofreram queda na taxa de compra.
Um novo equilíbrio dentro e fora do lar
A retração também está associada a um novo equilíbrio entre consumo dentro e fora do lar. Mais de 40% dos brasileiros pretendem gastar menos com alimentação e entretenimento fora de casa nos próximos 12 meses, e 36% dos lares endividados já reduziram alimentação fora do lar. Ao mesmo tempo, que o preparo em casa ganhou espaço, com crescimento de 3,5% em volume em alimentos relacionados a essa ocasião de consumo.”, aponta Domenico Filho, Diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil.

E-commerce e um consumidor conectado
Outro destaque do estudo é o avanço do e-commerce, que deixa de ser um canal marginal e passa a estruturar a jornada de compra. As vendas de FMCG no online cresceram 34%, atingindo R$ 17,2 bilhões. Além disso, 48% dos consumidores afirmam escolher o canal por preços competitivos, 88% já compram bens de consumo rápido pela internet e 64% deixam de comprar no varejo físico para comprar no online.
Novos gastos e repriorização
Ao lado dessas transformações, o estudo destaca que a disputa pelo orçamento do consumidor ficou mais complexa. “Novos gastos e novas prioridades também entram nessa equação, incluindo despesas que passam a competir com o consumo tradicional. Entre os exemplos analisados estão medicamentos à base de GLP-1 e jogos de aposta, que adicionam novas camadas de pressão sobre o bolso das famílias e se conectam a outras forças já presentes no dia a dia do consumidor, como endividamento e reorganização do orçamento.”, destaca Domenico Filho, Diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil.
A disputa pelo orçamento do consumidor se tornou mais ampla, com novos gastos e repriorização de despesas competindo por espaço no bolso das famílias. Nesse contexto, a queda de volume precisa ser entendida a partir da interação entre cinco forças principais: endividamento e custo de vida elevado, um novo equilíbrio dentro e fora do lar, e-commerce e um consumidor conectado, estratégias de economia em alta e novos gastos e repriorização.
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