Imagem principal de Consumer 360º: Inadimplência e custo de vida impactam o consumo de FMCG
Análise

Consumer 360º: Inadimplência e custo de vida impactam o consumo de FMCG

Análise
Consumer 360º: Inadimplência e custo de vida impactam o consumo de FMCG

Destaque , Tendências da indústria

Despesas com dívidas e contas reduzem espaço de lazer e alimentação fora de casa

O consumidor reduziu os gastos com Bens de Consumo de Giro Rápido (FMCG, sigla em inglês) em 0,5p.p. em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o relatório Consumer 360º. A tendência de queda se mantém desde 2024, quando houve retração de 1,2 ponto percentual na cesta. Os gastos com dívidas e contas são a principal causa da pressão sobre o consumidor.

O direcionamento do orçamento dos lares para Contas da Casa aumentou 0,2 p.p. em 2025, em relação ao ano anterior. Saúde e outras dívidas cresceram 0,4p.p. na mesma comparação. Atualmente, 74,6% dos lares não se sentem confortáveis com sua situação financeira, enquanto apenas 25,4% se dizem confortáveis.

Apesar de haver melhoras na economia, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e diminuição do desemprego e da inflação, ainda vemos o consumidor muito cauteloso em função da alta inadimplência e dos custos de vida, sobretudo de habitação.

Imagem com um gráfico sobre como o consumidor descreve a atual situação financeira e ranking das 3 principais preocupações dos brasileiros.

Categorias que mais perdem e ganham importância

Nesse contexto, os principais segmentos que perderam importância nos lares foram Lazer e Alimentação Fora de Casa, com quedas de 0,4p.p. e 0,2p.p., respectivamente, na comparação entre 2025 e 2024. Lazer atingiu o índice de 39,8% entre os endividados na pergunta de múltipla escolha sobre corte de custos nos últimos seis meses. O item Alimentação fora de casa foi apontado por 36,5% no mesmo grupo.

Na contramão, alimentos para preparo em casa ganham relevância na cesta do consumidor. Entre os principais itens que cresceram estão queijos fatiados, com alta de 14,6%; peixes, com 12,6%; pequenos moldados, com 12,5%; cortes temperados, com 12%; e batata congelada, com alta de 6,6%. Marcas mais baratas também estão sendo priorizadas pelos consumidores.

O setor de delivery tem perdido espaço, tanto entre as famílias mais endividadas quanto entre as de situação financeira confortável. Segundo a pesquisa, 43,9% dos endividados e com dificuldades financeiras não pedem delivery. Já entre o público que se considera confortável financeiramente, o percentual é de 37,4%.

Imagem dividida em duas partes: primeira parte mostra o grupo de Endividados/Com Dificuldade com dados sobre redução de alimentação fora de casa. Na segunda parte, o grupo de Confortáveis/Muito Conformtáveis com dados sobre o consumo fora de casa frequentemente.

Cartão de crédito

A modalidade do cartão de crédito surge como opção para os lares complementarem as compras, segundo a Consumer 360º. Quase 40% dos domicílios com renda de até três salários mínimos enfrentam dificuldades para pagar a fatura do cartão.
Os consumidores de baixa renda (que ganham até dois salários mínimos) são os que mais gastam com consumo essencial. Esse grupo destina mais de 60% da renda a alimentos e higiene. Já o grupo de renda intermediária (de três a cinco salários mínimos) sente maior pressão nas despesas domésticas, com contas do lar absorvendo mais de 50% dos gastos nessas faixas.
Os lares mais endividados pertencem ao nível socioeconômico (NSE) mais baixo e são, em geral, maiores, mais jovens e com presença de crianças. Ao todo, 20,5% dos lares estão endividados. O Nordeste é a região que mais sofre com o endividamento e que mais reduz gastos com Alimentação Fora de Casa e Lazer.

Bets e canetas emagrecedoras

Novidade no orçamento do consumidor, as canetas emagrecedoras e as bets surgem como um novo desafio para o equilíbrio das contas do lar. Segundo a NielsenIQ, a penetração de jogos de aposta atinge 26,2% dos lares brasileiros. Desses, 10% admitem reorganizar os gastos do lar para comportar apostas.

Nos lares consumidores de canetas emagrecedoras, o cenário é semelhante: 4,6% dos lares utilizam medicamentos à base de GLP-1. Entre esses consumidores, 62,2% afirmam ter despriorizado compras para viabilizar a aquisição dos injetáveis.

Canais

Canais de reposição e proximidade ganham destaque aos olhos do consumidor diante do cenário de cautela. Supermercados pequenos cresceram 0,5p.p. entre os endividados e 0,7p.p. entre os consumidores confortáveis, no comparativo entre 2025 e 2024. As compras pela internet cresceram 0,1p.p. e 0,2p.p., respectivamente, entre o primeiro e o segundo grupo.

Imagem de capa 1 de Consumer 360º: Inadimplência e custo de vida impactam o consumo de FMCG

Solicite a versão completa deste estudo